ESTUDOS SOBRE O ENSINO A DISTÂNCIA NO BRASIL E NO MUNDO

abril 19, 2009 at 3:05 pm (EAD)

Ensino a Distância (EAD) – Prof. Elias Celso Galvêas

A Transmissão do Conhecimento sem Fronteiras.

“No mundo atual em que se fala de globalização, não só econômica, mas também cultural e educacional, o ensino a distância, na sua dupla vertente tradicional e virtual (ou e-learning), apresenta-se como o ensino do futuro e para um futuro que se perspectiva de grande investimento na educação ao longo da vida, centrada no aprendiz e em que o docente é mais um orientador de percursos de aprendizagens auto geridas por cada um dos estudantes, do que um professor ex cathedra perante uma turma de estudantes que o seguem. É, por isto, que o ensino a distância se distingue do ensino presencial: pela sua flexibilidade curricular, pela existência de módulos creditáveis – quer estejam integrados num curso de graduação ou de pós-graduação, quer disponibilizados em disciplinas singulares”.

_____Maria José Ferro Tavares – Universidade Aberta de Portugal (EAD)

Uma definição simples, direta e objetiva de Ensino a Distância (EAD) seria: modalidade de transmissão do conhecimento formal sem a intermediação física de um professor, num horário pré-determinado, dentro de um ambiente específico que seria a sala de aula. Segundo a definição do próprio Ministério da Educação e Educação: 

“Educação a Distância é uma forma de ensino que possibilita a auto-aprendizagem, com a mediação de recursos didáticos sistematicamente organizados, apresentados em diferentes suportes de informação, utilizados isoladamente ou combinados, e veiculados pelos diversos meios de comunicação” 
_______________________(Decreto 2.494, de 10.02.1998 – artigo I).

É interessante observar que a existência de modalidades não presenciais de ensino – ou “ensino à distância” – parece não ser uma estratégia de aprendizagem tão nova quanto imaginamos: os primeiros cursos por correspondência, a exemplo, existem desde o ano de 1904 – apesar da histórica resistência em se reconhecer e validar a certificação formal deste precioso meio de transmissão de saberes.

“No Brasil, desde a fundação do Instituto RádioMonitor, em 1939, e, depois, do Instituto Universal Brasileiro, em 1941, várias experiências foram iniciadas e levadas a termo com relativo sucesso (Guaranys; Castro, 1979, 18). Entretanto, em nossa cultura chama a atenção um traço constante nessa área: descontinuidade dos projetos, principalmente os governamentais. 

Entre as primeiras experiências de maior destaque encontra-se, certamente, a criação do Movimento de Educação de BaseMEB, cuja preocupação básica era alfabetizar e apoiar os primeiros passos da educação de milhares de jovens e adultos através das “escolas radiofônicas”, principalmente nas regiões Norte e Nordeste do Brasil. Desde seus primeiros momentos, o MEB distinguiu-se pela utilização do rádio e montagem de uma perspectiva de sistema articulado de ensino com as classes populares. Porém, a repressão política que se seguiu ao golpe de 1964 desmantelou o projeto inicial, fazendo com que a proposta e os ideais de educação popular de massa daquela instituição fossem abandonados.” 
_________________________________Ivo Barros Nunes

Vivemos numa sociedade altamente tecnológica, onde a quantidade de conhecimentos acumulados pelo homem dobra a cada cinco anos em média – muito diferente do que acontecia há cem ou duzentos anos atrás.

Isto tende a gerar um ambiente multi-cultural, sem fronteiras e imprevisível, onde as certezas absolutas perderam sua razão de ser, bem como as antigas fórmulas lineares de resolução de problemas não mais se verificam com a exatidão tamanha com a qual se verificavam – num passado não muito distante. 

O novo panorama do mercado de trabalho mundial necessita de um novo tipo de trabalhador que tenha a capacidade de gerenciar informações e saberes de forma polivalente e interdisciplinar. Por um lado, este “novo trabalhador” não pode cair no erro de se especializar em uma área específica, tampouco ser um generalista dispersivo, teórico e contemplativo em relação aos processos que o cerca. 

O mercado de trabalho procura por trabalhadores polivalentes, especializados, qualificados, capazes, ao mesmo tempo, de conciliar naturalmente a teoria e a prática, bem como possuir uma visão sistêmica, sistematizada e crítica do conjunto de processos que permeiam suas práticas – em harmônica sincronia com as partes destes mesmos processos.

Em outras palavras, o mercado está à procura de um profissional que tenha consciência e percepção de que as partes – que compõem a totalidade do conjunto de processos de suas práticas – podem resultar em muito mais do que o somatório das mesmas: e isto requer o permanente desenvolvimento de habilidades especiais, como a capacidade criativa de combinar os inúmeros fatores dos quais dispõe, a fim de se tornar apto a resolver problemas com mais presteza e eficiência.

Certamente, todos estes fatores agregados contribuem – em maior o menor grau – para a composição da empregabilidade do trabalhador moderno. Na prática, em termos de habilidades, os pré-requisitos mínimos – atualmente exigidos pelo mercado de trabalho – para que o índice de empregabilidade de um indivíduo seja considerado aceitável pelo mercado, são os seguintes: 

I – Comunicar-se
· Ter autonomia e iniciativa para pesquisar sobre um determinado tema, tendo pleno domínio e entendimento no tocante à mensagem dos textos; 
· Escrever com precisão e clareza, de acordo com cada situação; 
· Escutar, assimilar e interpretar as informações, tanto faladas (ou sugeridas) quanto escritas; 
· Falar com desembaraço, organizando suas idéias; 
· Ter conhecimento de idiomas e de informática. 

II – Raciocinar matematicamente
· Saber fazer contas e estimativas sem ajuda de máquinas; 
· Ser capaz de interpretar gráficos e tabelas; 
· Saber usar a matemática para solucionar problemas práticos do dia-a-dia. 

III – Ser criativo ao resolver problemas e tomar decisões
· Usar sua capacidade de análise para entender os fatos; 
· Saber analisar informações e, assim, criar soluções e tomar as decisões necessárias; 
· Imaginar novas situações e novas soluções; 
· Buscar novas maneiras de aprender e novas formas de entender antigos problemas. 

IV – Saber lidar com diferentes situações
· Saber quais são seus conhecimentos, habilidades e aptidões ao programar seus objetivos; 
· Acreditar no seu valor (auto-estima positiva); 
· Saber lidar com suas emoções e com as dos outros; 
· Ser responsável pelas suas próprias tarefas (autogerenciamento); 
· Saber trabalhar em equipe; 
· Ser íntegro e conviver bem com as regras do trabalho. 

Todas estas habilidades devem ser desenvolvidas com o tempo, por meio de treinamentos permanentes. O EAD está presente nas empresas para promover treinamentos contínuos, sem a necessidade de deslocamento dos funcionários. E parece que, ao menos na esfera corporativa, a Educação à Distância já cumpre a importante missão de proliferar os mais variados saberes corporativos a seus funcionários, aonde quer que os mesmos se encontrem. 

” ´O indivíduo e o meio corporativo elaboram ambientes em que a troca do conhecimento faz decolar o crescimento profissional. A Internet é um importante aliado na busca por excelência´, afirmou Wilma Bulhões, da Assessoria Educacional (ASSEDUC) do SENAC Regional do Rio de Janeiro, durante o seminário E-Learning – Educação e Negócios na Era da Internet, realizado em parceria com a Internet business.

O e-learning – visto como uma das formas de se realizar Ensino a distância – é capaz de acrescentar as variáveis “flexibilidade”, “tempo” e “espaço” às tradicionais estratégias de aquisição, administração e gerenciamento da informação no ambiente corporativo. 

Ao mesmo tempo, a necessidade – cada vez maior – da geração de meios educacionais que proporcionem ambientes mais interativos ao usuário, bem como o novo panorama tecnológico que envolve complexas redes de relacionamentos (e tecnologias que se tornam rapidamente obsoletas), são fatores capazes de agregar novos valores, novas demandas que contribuem para a permanente e gradativa modificação no ambiente do EAD, bem como no perfil de seus usuários. Lembrem-se que, como já foi mencionado, o período médio de obsolescência dos processos tecnológicos está sendo, atualmente, de aproximadamente três anos e meio.

O mundo atual encontra-se em rápidas e profundas transformações. Como já foi mencionado, o total de saberes acumulados pelo homem não apenas está a dobrar, em média, a cada cinco anos: este mesmo conhecimento – especialmente os que envolvem processos de alta tecnologia (hoje em dia vitais para a nossa sobrevivência) – tendem a cair na obsolescência a cada três anos e meio, aproximadamente. E, na medida em que os incessantes avanços da tecnologia evoluem, a tendência é que estes espaços de tempo fiquem cada vez menores – o que fará com que o homem comum precise ser um verdadeiro mestre na “Teoria do Caos”, a fim de tentar antever as possíveis imprevisibilidades com as quais precisará lidar em um dado momento de sua vida.

Na verdade, inúmeros fatores contribuíram para a necessidade de expansão das modalidades de ensino a distância. Dentre os mais importantes fatores, podemos observar que, em linhas gerais, a explosão das inovações dos recursos tecnológicos do mundo moderno – inseridas num contexto onde o aleatório tende a prevalecer sobre os processos previsíveis e lineares – acabou por gerar um ambiente “caótico” (no sentido denotativo), onde a necessidade de proliferação de novas abordagens alternativas no tocante à transmissão do conhecimento passou a ser de eminente importância na composição da formação do indivíduo – especialmente para o mundo do trabalho. 

Portanto, a fim de iniciarmos nossas discussão sobre o EAD, existem algumas importantes questões a serem colocadas:

(1) Os modelos de transmissão de conhecimento – dos quais dispomos atualmente – estão sendo eficazes no sentido a conferir uma sólida e permanente formação ao indivíduo inserido dentro de um ambiente caótico como o descrito? Esta questão se abrange a formação do indivíduo como cidadão, como ser humano integral, bem como para o mercado de trabalho.

(2) No tocante à proliferação do conhecimento, as atuais estratégias de utilização das novas tecnologias estão sendo aplicadas de maneira justa e adequada? Caso positivo, justifique. Caso negativo, quais seriam as soluções mais viáveis a fim de minimizar os acidentes de percursos mais comuns?

(3) Qual o perfil geral dos alunos que procuram o EAD? A quem se destina a EAD atualmente? E a quem ela se destinará no futuro?

(4) Quais as vantagens e desvantagens do EAD em relação aos métodos regulares de transmissão do conhecimento? O que fazer para minimizar (ou mesmo eliminar) tais desvantagens?

(5) O que os professores devem fazer a fim de se adaptarem a este novo ambiente “caótico”? O professor precisará ser um Mestre em Informática? 
Saber operar e programar grandes plataformas e utilitários de EAD? 

(6) Qual o futuro da relação professor-aluno dentro de um ambiente de EAD e fora dele? 

Em linhas gerais, estas são as principais perguntas com as quais iremos trabalhar durante nossa leitura. Porém, não se tem a presunção de ter todas as respostas: muitas vezes, saber fazer a pergunta correta – na hora certa – é tão importante quanto elaborar uma resposta – por mais adequada que seja. 

Todavia, é interessante observar o seguinte: contrariando os atuais modelos de transmissão do saber – que ainda insistem em se autodenominar “modernos” – os novos modelos – dos quais o Ensino à Distância (EAD) faz parte – tendem a ser se firmar como abordagens mais democráticas, horizontais, flexíveis e dialéticas. Isto gera, portanto, um rompimento do monopólio do saber escolástico, acadêmico e formal, ou seja, a escola não é mais a detentora absoluta do saber, bem como o professor deixa de ser o único estandarte máximo do conhecimento humano. O espaço físico – bem como a presença física formal do indivíduo – deixar de ter a proeminência de outrora.

Na verdade, este novo ambiente – oriundo da utilização dos meios gerados pelos incessantes avanços tecnológicos -, acabará por acarretar novas estratégias metodológicas, bem como exigirá, igualmente – tanto dos professores, quanto dos alunos -, uma postura inteiramente renovada perante os processos de aquisição, proliferação e administração geral do conhecimento: por um lado, será exigido do aluno uma maior responsabilidade e autonomia no que diz respeito às suas estratégias peculiares de aquisição e gerenciamento de saberes. 

Todavia, a nova conjuntura confere a oportunidade do aluno seguir seu próprio caminho, ser o construtor e o maior responsável pela aquisição contínua do conhecimento que ele próprio julga necessário obter. O professor, no entanto, precisa se adequar às novas regras do jogo acadêmico, ou seja, precisa achar uma nova identidade, uma nova maneira e estratégia de readquirir sua importância – e este processo, naturalmente, não estará livre de estranhamentos iniciais, acidentes de percursos, erros, acertos, derrotas, 
vitórias, resistências, relutâncias, etc.

Na verdade, o papel do professor nas novas relações de aprendizagem – que estão se estabelecendo em ritmo acelerado – precisa adquirir uma identidade própria, com flexibilidade suficiente para se adaptar às novas demandas e incessantes transformações do atual mercado de trabalho – transformações estas que estão a surgir ritmo frenético, acelerado e imprevisível. 

Enfim, considerando os novos horizontes que se encontram, aos poucos, se delineando e tomando forma, precisamos realizar um esforço conjunto – permanente e sincrônico – a fim de conferir novos sentidos às práticas educativas, bem como realizar concomitantemente uma revisão profunda nos atuais processos de aquisição do conhecimento humano. 

Assim, se realmente buscamos meios de adaptar a educação aos meios tecnológicos disponíveis – e que se encontram incessantemente surgindo – devemos ser capazes de, primeiramente, criar novas diretrizes e práticas capazes de promover resignificações – profundas e relevantes – em nossos atuais processos e modelos de transmissão do conhecimento, bem como compreender e conferir flexibilidade às novas relações interpessoais que derivarão destas transformações originadas, por sua vez, da fusão de inúmeros fatores aleatórios e de difícil controle e previsibilidade. 

Este conjunto de novas abordagens estratégicas compõem um universo – de práticas, valores, conceitos, etc. – sempre pronto para ser desbravado. Não existem mais fórmulas mágicas ou receitas de bolo para lidar com fatos e elementos práticos ou teóricos. 

As novas regras que regem os processos de aquisição e proliferação dos saberes humanos estão permanentemente sendo constituídas e reconstruídas, de maneira mais democrática, interativa e dialética que de outrora.

Cabe, portanto, ao SENAC, bem como às demais Instituições Educacionais que pretendam lidar com Educação à Distância, buscar as melhores formas de se colocar em prática o melhor que a tecnologia atual pode nos proporcionar, tendo sempre em vista a flexibilidade e adaptabilidade dos processos, para que se evite a rápida obsolescência dos atuais processos, ou seja, uma maior atenção para que aquilo que é atualmente “novo” 
não se transforme – muito rapidamente – em “velho”. 

Afinal, parece que já chegou a hora de se definir limites para este mar de imprevisibilidade e insegurança que atualmente atravessamos – e deste caos, construirmos algo significativo, e, na medida do possível, “previsível” e “duradouro”. 

Professor Elias Celso Galvêas – SENAC – ARRJ.

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